15
fev

MUDANÇA INÉDITA NO CALENDÁRIO DA MODA

A moda está sendo impactada fortemente pelos seus consumidores, que tem diversas ferramentas para estar atualizado sobre as novidades do mundo da moda. Essa nova geração de consumidores nasceu e cresceu com o imediatismo das redes. Hoje desfiles são acompanhados ao vivo, minuto a minuto, por milhares de pessoas no mundo todo.

Desfiles de coleções de inverno sendo mostrados em pleno verão. Coleções de resort em pleno inverno, masculino se misturando a Alta-Costura. Quem é de fora da indústria assiste a tudo isso pelas telas de um smartphone e não entende nada, muito menos por que devem esperar seis meses pra comprar algo quando podemos comprar qualquer coisa em minutos, sem sair de casa, com apenas um clique, de um ingresso de cinema a uma roupa, joia, comida, viagem. O gap entre o que é mostrado no desfile e o que está nas lojas não é compreendido por essa audiência, tornando esse sistema fora de uso.

Há um ano o CFDA – Council of Fashion Designers in America – debate sobre o formato atual dos calendários de moda. Hoje, e desde sempre, os desfiles mostram uma roupa, seduzem a mídia especializada (e agora também o consumidor), são destaques em revistas e sites, mas só chegam às lojas no outro semestre. Até lá, a vontade de comprar aquilo que você viu e amou, já passou. E você provavelmente se esqueceu. Todo um esforço e investimento para provocar o consumidor se perde e precisa ser provocado de novo meses depois com novos investimentos, campanhas e ações de varejo.

Quando tudo é transmitido em tempo real, com live stream, câmeras 360 graus, Instagram, Snapchat e Twitter, de fato não há mais novidade após seis meses, quando essas coleções chegam às lojas. Em poucas horas, da passarela ao backstage, tudo já foi postado. Pela marca, pelo estilista, pelas modelos, pelo público, pelas editoras. E todo o esforço em torno do do desfile se perde e é difícil traduzi-lo em vendas e lucros. “Você cria toda essa energia em torno do desfile, daí ele acaba e você diz: agora esqueçam porque ele não estará nas lojas nos próximos seis meses”, disse Christopher Bailey, CEO e diretor criativo da Burberry.

Christofer Bailey, CEO da Burberry

Não demorou para que outros estilistas se manifestassem. Tom Ford, Marc Jacobs, Donatella Versace e Tommy Hilfiger também se preparam para essa transformação de calendário. Muitos outros ainda devem seguir. “Para algumas pessoas essa mudança é algo terrível. Elas querem que a moda fique a mesma, como se os smartphones nunca tivessem sido inventados”, diz Donatella. “Se as pessoas dizem que a moda está andando muito rápido, eu acho que temos que ser mais rápidos ainda e planejar nosso futuro juntos”.

Enquanto isso esperamos ansiosos.

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