06
nov

Opinião: Fadiga fashion

“Sempre que volto da SPFW fico de ressaca. Me sinto exausta. Cansada mesmo! Nesta edição fiquei só três dias e não foi diferente. Três dias que valem por 30. Contatos mil, novidades. É sempre bom reencontrar os coleguinhas, os amigos, saber das novidades e babados do mercado e, principalmente, ver como algumas pessoas não mudam.

O microcosmos da moda é tipo uma cidade de interior que você conhece todo mundo desde que nasceu e não dá nem bom dia quando encontra no mercadinho da esquina. No meu caso, o ‘desde que nasceu’ se data lá de 1998, quando comecei a cobrir a moda do Brasil. Já o mercadinho da esquina, esse muda de lugar conforme a temporada.

Desta vez foi no desconfortável Parque Villa Lobos, lugar longe pra caramba, com trânsito caótico e um constante engarrafamento no estacionamento, que te faz perder mais ou menos 30 minutos para sair de carro de lá. Na mudança de calendário perdemos a Bienal. Pena.

Como é pena também o comportamento de alguns fashionistas. Tem sempre muito sorriso amarelo, muito olhar de cima a baixo, muita selfie, muito wannabe, muito deslumbramento, muita tietagem, muita confusão, muito salto agulha – mesmo na CHUVA -, muito maxi colar, muito cabelo longo e loiro cacheado nas pontas – tipo Barbie -, e muita saia estilo lady like. Canseira fashion total!

Enfim, ainda bem que além disso tudo tem muita gente trabalhando para que essa indústria desassistida pelo governo continue funcionando. Nas temporadas de moda é que se pode ver como tem gente que insiste na moda, investe para ela continuar, que tenta torná-la relevante, importante, inovadora, atualizada, consciente e séria.

Essa babaquice toda que o mundo tá virando, embalado pela revolução digital, imbeciliza ainda mais um mercado frágil como o da moda, que vive às custas – literalmente – de aparências. Dá uma sensação estranha ver a insegurança de quem sempre viveu desse mercado. Os profissionais que não viraram a chave na comunicação, por exemplo, estão sofrendo as consequências da falta de inclusão. Já as marcas que estão tentando sobreviver ao levante fast fashion, com seus preços nada competitivos e suas produções em massa asiáticas, parecem ter ainda muito pouco fôlego. Os patrocinadores diminuíram, e o sentido se perdeu.

Mas, afinal, qual a importância mesmo de se estar numa sala de desfile de uma semana de moda se tudo pode ser visto ao mesmo tempo por todos via streaming? Muita. Estar ali significa prestígio, respeito, relevância. Estar ali não é para clicar selfies sem parar. É para entender os rumos, as tendências e por onde se vai trabalhar. Seja quem vende, faz ou comunica moda.

Enfim, people, que a minha ressaca passe, que os carões diminuam e que o mercado acorde e se una. Não se tem tempo nem espaço para tanto preconceito. O papo agora é sério, reto. A coisa tá preta e o mercado tá retraído. E vai piorar. Quem sabe juntos possamos reduzir taxas, impactar mais gente e dar alguns ensinamentos para a turminha-selfie-salto-agulha que vem por aí: para tanto glam é preciso muito mais penso, que o digam os embranquecidos colegas que continuam pelas semanas de moda firmes e fortes. Afinal de contas, os 15 minutos de fama não duram pra sempre nem pagarão as contas eternamente! <3″

Mauren Motta

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